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domingo, 27 de março de 2011

Contradições da intervenção na Líbia

O mandato da ONU para a Líbia previa o controlo do espaço aéreo para evitar que as forças de kadafi bombardeassem civis e pusessem em curso um massacre da população. Mas afinal o que está a acontecer é que as forças da coligação não se estão a limitar a este mandato e estão a atingir alvos militares de kadafi independentemente de estes estarem ou não a ser usados contra populações civis, tanto quanto sabemos até nem estão.
Por outro lado, começam a ouvir-se vozes de altas figuras, como Obama e Clinton que exigem a retirada de Kadafi o que afinal revela, como se costuma dizer, o gato escondido com o rabo de fora: parecem estar apenas a aproveitar a oportunidade, invocando hipocritamente a defesa de civis, para se desfazerem de um líder instável e por vezes imprevisível em relação aos interesses do Ocidente.
Para se justificarem socorrem-se do apoio da chamada Liga Árabe que afinal, bem vistas as coisas, é ela própria constituída por um conjunto de ditadores que, tanto como Kadafi, oprimem os seus povos. Postas as coisas nestes termos coloco em dúvida a legitimidade desta intervenção que parece estar a ser movida mais pelos interesses do petróleo do que por quaisquer considerações humanitárias.
Resta ainda saber se os «libertadores» não estão a ser manipulados, como já se diz à boca cheia, pela famigerada Al Qaeda; se tal estiver a acontecer então Europa e companhia podem realmente limpar as mãos às paredes por mais uma cagada monumental.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O senhor que se segue?

A desinformação é total, muitas notícias, muitas imagens, um autêntico fogo de artificio que mantém o espetáculo  mas não permite que percebamos o que se está a passar. Falta análise política, falta distanciamento, falta reflexão, sobra foguetório e ruído.
Mas seria curioso tentar encontrar um padrão. Depois do Egipto parece que o senhor que se segue é Khadafi, ditador líbio, com um percurso politico errático e confuso, entre outras coisas, apoiou o IRA, a Eta e grupos palestinianos e mais recentemente tem-se posicionado contra o terrorismo fundamentalista islâmico, o que para mim é uma boa notícia.
Quando ele se for, quem vai lançar mão dos despojos? E é bom não esquecer que a Líbia, graças ao petróleo, é o país mais rico do continente africano

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Erros estranhos de um economista de eleição e político a contragosto

Tenho acompanhado o debate para a eleição presidencial e não posso deixar de estranhar a prestação do candidato Cavaco Silva. Este, nos idos de 2001, adquiriu acções de uma instituição detentora do tristemente célebre BPN, acções essas que lhe renderam juros absolutamente invulgares e que lhe deveriam ter dado que pensar - mas aparentemente não deram - limitou-se a empochar o dinheiro. Sendo um economista e um economista que tantos reverenciam, como é que não percebeu que o esquema de que estava a beneficiar  tinha contornos que o aproximavam do caso D. Branca que, como ele bem sabia, acabou no tribunal e colocou a «vetusta» senhora atrás das grades!? Para uma pessoa que diz pautar-se por rígidos critérios de honorabilidade, devia também reconhecer que tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta, embora a tradição e os bons costumes sejam normalmente brandos para quem fica à porta. Devia ainda perceber que para um político e um político com pretensões de carreira, como se veio a provar, esse comportamento haveria de ter implicações e levantar suspeições. São estes aspectos que estão em causa e não propriamente a sua responsabilidade na gestão desse banco e nos sucessos que dela advieram, que é nula..
Não contente com esta lamentável prestação, ainda teve o desplante de tentar afastar o foco do debate para a nova administaração do BPN, assacando-lhe responsabilidades por não ter conseguido reverter a situação comparando com bancos ingleses que o conseguiram; então ele também não percebe que não são situações comparáveis, onde estão os seus autoproclamados conhecimentos de economia e finanças e onde estão os comentadores que não o zurzem como deviam e continuam a dobrar a língua com o «sr. professor» como se este fosse uma sumidade na matéria!?